💔coração quebrado mata💔

“‘cos I’ve been drinking”

— amy

Quando acordara não sabia que estava onde estava. Sua cabeça doía. Fazia calor mas mesmo assim o quarto estava fresco graças a uma leve brisa que entrava no quarto.
Seu corpo parecia anestesiado, como se houvesse um elefante cinza em cima de seus braços e pernas que o impedia de se levantar e entender a situação.
Ouviu vozes distantes, soava como mulheres tecendo na cozinha. O cheiro lhe era familiar mas não conseguia o identificar.
Já não aguentava mais olhar para aquele teto branco então se forçou e jogou a cabeça para o lado, sentiu como se uma dezena de agulhas se agitassem em sua cabeça tamanha foi a dor. Viu aquele banheiro apertado com o pequeno espelho virado para o quarto.
Lutou contra o tal elefante e se levantou. Se sentia estranho, seu corpo todo doía. Foi até aquele espelho, pedaço de vidro que por várias viu tantos rostos e tantos momentos e tantas emoções, o que será que tem pra contar?
Lavou o rosto e não, não era um sonho. Olhou para a cama tentando achar algum vestígio que o ajudasse quanto a todo esse mistério mas de nada lhe foi útil essa olhada, apenas para que a porta verde desbotada lhe chamasse a atenção de canto de olho.
Resolveu que iria aceitar o convite da porta e saiu do quarto seguindo o som da conversa que aparentava vir do andar térreo.
Após as escadas não sabia para onde ir, tudo era tão estranho e escuro que a porta verde tinha mesmo que ser desbotada para se encaixar naquele cenário. Chegando no ambiente viu três belas senhoras que aparentavam três gerações diferentes. Os risos cessaram e todas olharam para ele e quase que ao mesmo tempo deram-lhe um sorriso bem caloroso, como a temperatura. Sorriso esse que provou que as três eram da mesmo família.
Ele quis sorrir também mas parou quando percebeu que suas buchechas já estavam a lhe mostrar os dentes. Percebeu que das senhoras ali não conhecia nem nome nem sobrenome.
O sorriso das damas havia terminado e agora o semblante era se preocupação. Notou-se a palidez do jovem que em segundos estava no chão. A mais velha se aproximou a anunciou o diagnóstico:

“Amadureci vendo as pessoas que amo me trocando.”

— Clarice Lispector.  

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